Para a Experiência Somática nosso Sistema Nervoso atua de forma a nos defender do perigo, capacidade necessária para a sobrevivência. Mesmo na ausência de uma ameaça de fato podemos interpretar a experiência como real, contraindo músculos e vísceras – nosso órgãos internos dos sentidos.
Músculos do pescoço ombros contraídos podem simbolizar um corpo que ja foi agredido e sente inconscientemente que pode apanhar. Pernas tensas e olhos fixos ja sinalizam vontade de correr e fugir. Já braços retesados talvez signifiquem que a pessoa está pronta para lutar. O corpo diz o que a pessoa te dificuldade em expressar e sentir. Assim como uma barriga relaxada e tonificada pode sinalizar segurança, mesmo diante da confusão do dia a dia.
As vísceras influenciam nossa percepção e intuição, se muito contraídas nos sentimos desamparados e sem energia, podendo entrar em colapso (exemplo: inibição da mobilidade gástrica causando constipação), assim como se superestimuladas podem nos avisar de perigos que não necessariamente são reais, uma defesa que pode se tornar crônica após um trauma. O organismo precisa reaprender a entrar em autoregulação, retornando a fluir no aqui e agora. Quando o equilíbrio não é restaurado a pessoa permanece em angústia profunda.
Segundo Peter Levigne no Livro “a Voz Sem Palavras” para EVITAR O TRAUMA ASSIM COMO PARA REVERTÊ-LO depois que ja aconteceu é necessário ter consciência das próprias sensações viscerais. Elas são necessárias para a vitalidade e manifestação de sentimentos positivos para conduzir a vida. Quando ignoramos nossos sentidos e instintos mais viscerais nos colocamos em enorme risco. Após um trauma podemos viver experiências de imobilização e desligamento, apavorando as vísceras e contraindo os músculos, podendo vivenciar sensações apavorantes (ataques de pânico).
Apresento uma forma de desfazer esse nó no cérebro/intestino:
Nossa consciência primitiva se localiza no plexo solar, nosso grande centro nervoso, onde estamos dinamicamente vivos. Práticas de CANTO e VOCALIZAÇÃO facilitam o processo de cura em diversas culturas, aliviando a carga da existência terrena e abrindo as portas da percepção para si e além de si. “Quando nos abrimos para cantar em tons profundos, ressoantes, vindos da parte inferior do abdome, também abrimos o peito (coração e pulmões), a boca e a garganta, estimulando de forma prazerosa os diversos ramos serpenteantes do nervo vago.” (p.122)
Emitir o som “VUUU” algumas vezes, voltando a respiração e a vocalização para a barriga, deixando a vibração acontecer. Este exercício, feito especialmente em conjuntamente com o o processo da psicoterapia ativa as sensações das visceras. Podemos pensar em uma embarcação que está seguindo em direção a um porto seguro. Expiração completa que produz perfeito equilíbrio entre oxigênio e dióxido de carbono. Os efeitos fisiológicos são de menos torpor, náusea, agonia e ansiedade. Melhorando inclusive a acessilibilidade aos circuitos de sociabilidade e interação social. Além de gerar sensação de resiliência e segurança interna e no aqui e agora, facilitando o contato olho a olho, frente a frente. Capacidade essencial para se sentir pertencente e parte do mundo de forma integrada.
A Psicoterapia e Análise Corporal Reichiana atua diretamente com o Sistema Nervoso desenvolvendo recursos necessários para destraumatizar o corpo e a mente. Criando segurança no próprio corpo para se mover e decidir, diafragma liberado e menos tensões ou paralisias.

